O nascimento da saúde - Gravidez - Parte 1

21 de outubro de 2010

Prevenir doenças sempre foi um dos principais objetivos da medicina. O mais recente avanço nesse sentido é a descoberta, por meio de diversos estudos realizados em todo o mundo, de que as sementes da saúde e da doença são plantadas em uma fase ainda mais cedo do que se imaginava: antes do nascimento, ainda durante a vida intra-uterina.

Os cientistas estão cada vez mais convencidos de que os nove meses de gestação são decisivos para a saúde do indivíduo durante toda a sua vida. Na gravidez, toda a história física e emocional do bebê estará sendo construída e será influenciada por aquilo que a mãe come, e por seu comportamento emocional durante a gestação.


As pesquisas já demonstram, entre outras coisas, como doenças infecciosas da mãe, seus níveis de estresse, a qualidade de sua alimentação e até do ar que ela respira podem contribuir para que a criança venha a desenvolver, na infância ou na vida adulta, problemas cardíacos, alergias, asma, obesidade, câncer e outras enfermidades

Uma das doenças nas quais esta relação encontra-se bem estabelecida é a diabetes. Se a mãe for diabética e não controlar a doença durante a gestação, a chance de dar à luz uma criança também portadora é muito alta. O esforço, agora, é entender por que isso acontece. Uma pesquisa nos EUA fala sobre o assunto. “Essas crianças são mais propensas a ter baixa sensibilidade à ação da insulina, um conhecido fator de risco para a doença”, disse Paula Chandler autora do estudo.

A insulina é o hormônio que permite a saída do açúcar do sangue e sua entrada nas células. Se o indivíduo manifestar resis­tência ao seu funcionamento, ela não agirá corretamente. O resul­tado é que haverá mais glicose na circulação sanguínea, caracteri­zando a diabetes.

Mas por que o feto desenvolveria essa resistência? ''A maior quantidade de açúcar que está no sangue da mãe dia­bética atravessa a placenta. E isso obriga o pâncreas do bebê a produzir mais insulina para manter o equilíbrio. Como resposta ao excesso da substância, o corpo se torna menos sensível à ação do hormônio.'' disse Paula.

No caso da tendência à obesidade, a confirmação de que ela pode ser adquirida dentro do útero também vem de vários e consistentes trabalhos. O pesquisador John Kral, de Nova York, comparou o peso de adolescentes filhos de mulheres que engordaram muito durante a gestação com o de seus irmãos, gerados após suas mães terem se submetido a cirurgias bariátricas. O resultado foi impressionante. Os irmãos tinham herdado os genes da obesidade, porém a taxa de obesos entre os que nasceram após as mães terem feito a cirurgia para perda de peso foi 52% menor. Kral e sua equipe agora investigam os mecanismos intrauterinos atuantes nestes casos. Uma hipótese é a de que a nutrição exagerada alteraria a função de alguns genes do feto.

O excesso de peso materno também pode estar relacionado ao aumento de risco de a criança tornar-se mais vulnerável à alergia, à asma e a doenças neurodegenerativas. “Nossa esperança é de que estes dados levem as mães a considerarem as consequências do que ingerem não apenas para a própria saúde, mas para a saúde dos filhos”, afirmou Staci Bilbo, pesquisadora. Diante dessas evidências, os médicos começam a ressaltar a importância do emagrecimento para a mulher que deseja ter filhos e que está acima do peso.

Se o acúmulo de peso é um problema para a criança, o inverso também é verdadeiro. Bebês nascidos com baixo peso têm, por exemplo, um maior risco de apresentar doenças cardíacas na idade adulta. As pesquisas estão demonstrando é que várias das causas para o nascimento de crianças com peso abaixo do normal estão relacionadas às condições da mãe. Fumo e depressão não tratada na gravidez, por exemplo, podem resultar em bebês magros demais. Outra razão é a adoção de uma dieta pobre em nutrientes importantes. Quando isso acontece, o feto deixa de receber ingredientes necessários à formação correta dos tecidos. A consequência é que acabam sendo priorizados o desenvolvimento de alguns órgãos, como o cérebro, em detrimento de outros.

Fonte: Revista Istoé

Leia também: O nascimento da saúde - Gravidez - Parte 2
Comentários
0 Comentários

Comentários:

Faça um comentário:

Regras para comentar:
- Proibido comentários Anônimos. Escolha Nome/URL.

- Proibido ofensas, xingamentos e mensagens em CAPSLOCK.
- Escreva de forma consistente e clara;
- Não deixe links no corpo do comentário;